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E assim caiu a máscara da charlatanice do “coaching”

2 min de leitura

A Joana Marques, com o seu “Desconfia”, conseguiu dar visibilidade ao fenómeno que tantos de nós procuram desconstruir há muito tempo: a charlatanice do “coaching”. Depois da Joana, o seu a seu dono, o Ricardo Araújo Pereira deu uma ajuda, através do Jornal Expresso.

Hoje, vejo com alegria uma dezena de textos que, com argumentos sólidos, científicos e sérios, desmascaram a confusão que se instalou entre, não resisto, a obra prima e a prima do mestre de obras.

O “coaching de fim de semana”, os “dias de imersão profunda”, o “primeiro milhão” que ainda não ganhámos e nunca iremos ganhar, o “caminhar sobre brasas”, que não só não é superação alguma, como é estúpido, a “resolução de traumas” em três dias de espetáculo, as lágrimas e os abraços, não são desenvolvimento pessoal, não são terapia, não são nada mais do que a venda da banha da cobra, agora com mais luzes, micros e vídeos, outrora dentro uma latinha. A diferença é que a banha da cobra não fazia mal a ninguém, como também não fazia bem. Os espetáculos que hoje proliferam, nomeados de treino emocional, desenvolvimento pessoal, experiência imersiva, “talks”, ais e uis da vida, esses sim, fazem mal. Fazem sobretudo mal a quem já está mal.

Terapeutas são os psicólogos, os psiquiatras, os psicanalistas, os “fisios” e os da fala, são todos os que se formaram devidamente para o exercício de profissões regulamentadas. Tudo o resto, é mentira, mais, é uma mentira muito cara e com efeitos perniciosos gravíssimos, que convence as pessoas menos atentas de que se não conseguem é porque não tentaram o suficiente ou não querem.

E se o mercado é livre e cada um escolhe o que compra, não nos esqueçamos que a defesa do consumidor também passa por aqui. E temos tido muitos olhos fechados. Mais, a vida é feita de escolhas sim. A liberdade para escolher, lamento, não é absoluta. Escolhemos em função do que podemos e, sobretudo, dos contextos que vivemos. Podemos melhorar todos os dias, sem dúvida, podemos escolher o que controlamos e aceitar o que não controlamos, mas não o faremos certamente a partir tábuas com os pés, com as mãos e ainda menos com a cabeça.

A inteligência tem sido subvalorizada, o que acarreta graves riscos pessoais e sociais.

Bem hajas Joana Marques por brincares com assuntos sérios.

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