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Comunicação · Gestão de Conflitos · Liderança

A comunicação como instrumento para a paz no local de trabalho

2 min de leitura
A comunicação como instrumento para a paz no local de trabalho

Jornadas de Comunicação 2026 — Santuário de Fátima.

No passado dia 17 de abril tive o privilégio de participar nas Jornadas de Comunicação 2026, em Fátima, com uma comunicação intitulada «A comunicação como instrumento para a paz — no local de trabalho». Foi um espaço raro: pessoas vindas de contextos muito diferentes, unidas pela mesma pergunta — como podemos comunicar de forma que construa, em vez de destruir?

O conflito não é o problema

Numa equipa, o conflito é inevitável. Há prazos, expectativas, personalidades, histórias pessoais, cansaço. O que faz a diferença não é evitá-lo — é o que fazemos quando ele aparece.

Muitas das organizações com quem trabalho vivem o conflito como uma ameaça: algo a contornar, a abafar ou a remeter para o departamento de recursos humanos. Quando isto acontece, o conflito não desaparece — apenas muda de forma. Transforma-se em ressentimento silencioso, em rotatividade, em reuniões que nunca decidem nada.

Momento da apresentação a falar com as mãos

A escuta de acolhimento

Foi sobre este ponto que mais me detive na comunicação: a escuta de acolhimento como gesto fundador da gestão de conflitos. É uma espécia de escuta ativa 2.0: escutar para acolher não é o mesmo que escutar. Não é esperar a minha vez de falar, nem catalogar mentalmente os argumentos do outro enquanto ele ainda está a expor o seu ponto. É fazer espaço — interior — para que a experiência da outra pessoa caiba ali, sem ser imediatamente julgada, corrigida ou resolvida.

Na prática, a escuta de acolhimento tem três sinais discretos mas poderosos:

  • Suspender o juízo o tempo suficiente para compreender antes de avaliar.

  • Devolver o que ouvimos por palavras nossas, para confirmar que entendemos — e não para concordar.

  • Reconhecer a emoção que está por baixo das palavras, mesmo quando não a partilhamos.

E atenção, acolher, validar, não é concordar. E esta distinção faz toda a diferença. Discordar é salutar, é humano, é o que permite avançar, construir, crescer.

Vista do auditório durante a comunicação

Da gestão de conflitos à promoção da paz

Costumo dizer aos líderes com quem trabalho que a paz organizacional não se decreta — constrói-se em pequenas decisões diárias. Decidir parar uma reunião quando se nota uma tensão por nomear. Decidir perguntar "o que é que te está a custar nisto?" antes de impor a próxima tarefa. Decidir não responder ao e-mail irritado nos primeiros cinco minutos. Ou, como costumo dizer, controlar a amigdala, dar-lhe cérebro racional.

São decisões pequenas e quando sustentadas no tempo, mudam a cultura de uma equipa. Tornam-na um lugar onde as pessoas conseguem discordar sem se ferirem e onde o conflito deixa de ser uma rutura para passar a ser, simplesmente, parte da vida em comum.

O que trago de Fátima

Saí das Jornadas com uma palavra a martelar-me: responsabilidade.

Quem comunica — e todos comunicamos, queiramos ou não — tem responsabilidade pelo clima que cria à sua volta. Não somos responsáveis pelo que o outro sente. Somos responsáveis pela qualidade da nossa presença.

E é essa, no fundo, a tese que defendo no meu trabalho: a paz no local de trabalho começa no instante em que alguém decide escutar primeiro.

Obrigada à organização das Jornadas de Comunicação 2026 e a todas as pessoas com quem partilhei estes dias. Levo-vos comigo.

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